As classes dominantes atravancam o processo de distribuição de renda?

Atravancam, porque na verdade elas impõem um padrão de consumo que está muito além da possibilidade objetiva da economia brasileira. Provavelmente elas não tenham consciência dos efeitos das demandas deles; não acredito que elas tenham conhecimento da teoria do subdesenvolvimento. Mas o resultado concreto, consciente ou inconsciente, é que, para que eles possam viver como nos países ricos, o Brasil vai ter que criar muitos pobres.

Com a situação de pobreza no país foram criados programas sociais para tentar combater a situação, dentre eles está o Bolsa Família 2019.

Qual a importância das políticas compensatórias, como bolsa família e bolsa escola? Ajuda alguma coisa, ou é apenas um paliativo?

A política compensatória, como diz o próprio nome, é uma política que compensa o efeito de alguma outra coisa. Então essa é uma política que atua sobre o efeito do problema e não sobre a causa. Eu não sou contra que se dê sopa para quem está com fome. Sou a favor, desde que isso seja uma política temporária e não como a única política. Então quando você não ataca a causa e só tem a política compensatória, você está na verdade aceitando o sistema e se omitindo de quebrar, de resolver o problema da pessoa. Você está apenas compensando, atenuando, aliviando a pobreza.

Entenda mais sobre o valor Bolsa Família pago aos beneficiários e saiba se há grande importância nesses programas sociais.

Há um modelo de distribuição de renda de outros países que poderia ser aplicado no Brasil?

Cada país deve ter o seu próprio modelo. Cada país tem uma história e vai ter que construir a sua saída. Só para comparar Cuba com o Brasil: Cuba é uma economia muito precária, é um país muito pequeno, sem recursos e muito menos desenvolvido do que o Brasil. Mas tem uma taxa de mortalidade infantil cinco vezes inferior à brasileira e tem uma expectativa de vida cinco anos superior à brasileira.

Cuba é um exemplo de distribuição de renda, porque é uma economia cercada e combatida pelos Estados Unidos que é a maior potência econômica do mundo. Mas eles organizam seu país em função das necessidades do conjunto das pessoas e das possibilidades da sua economia. A regra lá é mais ou menos a seguinte: “Dá pra todo mundo? Dá. É estratégico para a economia nacional? É. Então se produz”. Aqui no Brasil não. Aqui o sistema é: “Se não der para todo mundo, paciência. Vai dar para mim”.

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